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“Pisei, dei murro na cara”, confessa coordenador penitenciário investigado em Goiás

Josimar Nascimento passa por processo de investigação por maus tratos aos encarcerados

Redação

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jOSIMAR | 24Horas

Josimar Pires Nicolau do Nascimento, gestor de 14 presídios com 5.988 presos em Goiás, está sendo investigado após comentar em reunião agressões contra os encarcerados. “Vocês acham que eu fiz o que lá no Pátio 2? Pisei. Pisei. Pisei. Dei murro na cara e peguei 95 celulares. Se eu tivesse beijado a boca deles, eles não tinham entregado, ou tinham?”, confessa, sem que soubesse que seu áudio estava sendo documentado.

A gravação foi feita em uma reunião, com a participação do coordenador geral e outros quinze representantes da unidade. O coordenador parece não temer as denúncias, pelo contrário.  Menos de dois meses antes de ser gravado confessando práticas de maus-tratos, Josimar Nascimento foi citado em uma denúncia redigida por seis advogados.

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Jomisar e coordenadores na unidade de Formosa

O documento, datado de 21 de setembro de 2020, traz relatos de torturas sofridas por detentos  do presídio Formosa passa por um processo de investigação, após denúncias de tortura – violência física, tortura psicológica estão entre a investigação, além do descumprimento da Lei de Execução Penal (LEP) dentro da unidade. A Lei de Execução Penal prevê expressamente que a execução penal tenha por finalidade proporcionar a harmônica integração social do apenado.

Segundo o INFOPEN, o Brasil possui a 3ª maior população carcerária do mundo, demonstrando atualmente o crescimento da criminalidade, assim como, do questionamento sobre o papel ressocializador do sistema penitenciário. A partir dessa abordagem é necessário evidenciar o papel do gestor no sistema prisional.

O preso vai ressocializar? Não vai. O que vai acontecer com ele? Ele vai ficar com medo de voltar. – prega Nascimento.

No áudio em que descreve o que ele chama de modus operandi no sistema prisional, finaliza dizendo que só existem dois tipos de presos, em que recebe apoio de alguns  coordenadores, enquanto outros ficam calados.

 “Quais são?”, ele pergunta, sem ouvir resposta dos servidores, para em seguida responder: “O presepeiro e o oprimido. Não tem outro, não tem o bonzinho. Se você acha que tem o terceiro, eu desminto. Ou ele fica oprimindo ou fica presepando.”

Josimar Nascimento não ocupa um cargo qualquer. Nomeado coordenador da 1° Coordenação Regional no dia 26 de outubro do ano passado, tem autonomia de atuação nas 14 unidades prisionais. Tem tanta influência na cúpula do sistema prisional que foi, em 2018, um dos designados pela gestão do ex-governador de Goiás José Eliton (PSDB) para elaborar o Procedimento Operacional Padrão da Diretoria-geral da Administração Penitenciária.

Josimar Nascismeto | 24Horas

O coordenador da 1° Regional Prisional de Goiás, ao lado de um detendo na formatura em 2019.

“Jogava bloco na cabeça [de preso]”

Josemir atuou em uma unidade que tinha uma fábrica de blocos de concreto, o coordenador regional segue: “Jogava bloco na cabeça [de preso]. Só não tinha horta porque eu não gosto de horta, não. Jogava pedra neles se não fizessem o que eu estava mandando.” A ironia é que Josimar Nascimento deu uma entrevista na ocasião da formatura de presos matriculados em um curso de pedreiro da penitenciária, em dezembro de 2019:

Esta qualificação profissional desenvolvida em Luziânia é importantíssima para o processo de ressocialização do apenado”

Tentativa de homicídio

Em maio de 2020, Josimar foi vítima de tentativa de homicídio enquanto retornava para Goiás. Ele estava em um GM Ônix e foi surpreendido por disparos de arma de fogo efetuados por ocupantes de uma motocicleta na DF-290. Na época, ele contou que percebeu os dois homens o seguindo e tentando ultrapassar seu veículo.

Em dado momento, a moto emparelhou com o carro, e o garupa que estava com a arma em punho efetuou disparos que atingiram o para-brisas e o para-lamas do veículo.

Josimar freou o automóvel, sacou a arma e revidou a agressão. No entanto os criminosos fugiram.

Sob supervisão do jornalista Derick Fernandes

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