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Apesar da baixa audiência, Um Lugar ao Sol é um novelão recheado de qualidades

Aposta da emissora para essa retomada, Um Lugar ao Sol é a primeira novela da autora Lícia Manzo no horário nobre da Globo

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Na última segunda-feira (08), a Globo retomou a exibição de novelas inéditas no horário das nove, que estavam suspensas desde a declaração de pandemia da COVID-19. Exceto pela exibição dos capítulos finais de Amor de Mãe, no início deste ano, a emissora vinha exibindo reprises desde março de 2020, quando colocou no ar a reexibição da novela Fina Estampa (2011), de Aguinaldo Silva, seguida por A Força do Querer (2017), de Glória Perez, e Império (2014), também de Aguinaldo.

Aposta da emissora para essa retomada, Um Lugar ao Sol é a primeira novela da autora Lícia Manzo no horário nobre. Antes disso, ela já havia escrito A Vida da Gente (2011) e Sete Vidas (2015), ambas exibidas no horário das seis e elogiadíssimas pela crítica especializada.

A autora chega à faixa cercada de expectativas e apresenta ao público a história dos gêmeos Christian (Cauã Reymond) e Christofer, que, separados ao nascer, vivem vidas completamente opostas. Um deles, criado em um abrigo para menores, enfrenta lutas diárias para sobreviver e conseguir se sustentar, enquanto o outro, adotado por um casal rico e rebatizado como Renato (Cauã Reymond), cresce cercado de luxo e sem grandes responsabilidades.

O caminho dos dois se cruza muitos anos depois e eles, já adultos, passam a madrugada juntos. Renato, ao saber que o irmão tem uma dívida com traficantes, sobe o morro em seu lugar e, confundido com ele, acaba assassinado. Idêntico ao recém falecido, Christian assume a identidade do irmão e segue rumo a uma nova vida, tendo que lidar com as consequências de sua escolha.

A história dos irmãos gêmeos que trocam de lugar poderia soar como um clichê dos mais batidos da teledramaturgia, mas em Um Lugar ao Sol é apresentado de uma maneira diferente.

Nenhum dos dois é extremamente mau ou extremamente bom, ambos têm suas nuances e podem despertar as mais variadas emoções no público, acostumado com histórias maniqueístas de personagens que vivem uma disputa interminável entre o bem e o mal.

Talvez isso explique a baixa audiência dos primeiros capítulos, que sofrem para chegar aos 25 pontos. Sair do lugar comum ao qual se acostumou pode fazer o público fugir e isto, aliado à má divulgação do folhetim na grade da emissora, pode ser fatal para um produto que deveria atingir as massas.

No entanto, o potencial que o enredo apresenta pode se sobressair e ser maior do que tudo isso, já que chega à tela com um conjunto que pode se destacar e, com o tempo, reverter o quadro atual, principalmente pela força que vem conquistando junto ao público da internet. A novela bomba nas redes sociais, mas falta conquistar o público do sofá.

Com um texto ágil e bem elaborado, uma direção afiada e um elenco magistralmente escalado, Um Lugar ao Sol, apesar de recorrer ao clichê dos gêmeos, apresenta-se diferente de tudo que já se viu nas telenovelas brasileiras.

Não romantiza a realidade e apresenta um contraponto atual e realista da vida de ricos e pobres no Brasil. Logo no segundo capítulo, quando Ravi (Juan Paiva) é acusado de roubar um celular apenas por ser negro e acaba sendo preso, a autora apresenta sua sacada mais genial até o momento ao contrapor a situação com a prisão de Renato, que é levado por policiais ao ser flagrado comprando drogas, mas é liberado logo em seguida após pagar uma fiança, enquanto o garoto pobre, que é inocente, continua detido, já que seu irmão de criação, o gêmeo de Renato, não tem condições de pagar a fiança.

A sacada da autora de colocar os dois irmãos em situações parecidas, mas de lados opostos, onde um resolve com dinheiro e o outro se mete nas mais absurdas confusões e não resolve nada é a representação do Brasil em uma sequência, o que evidencia a preocupação em apresentar ao público uma história coerente e realista.

No elenco, Cauã Reymond apresenta o mais bem construído personagem de sua carreira, o gêmeo pobre Christian, que, embora remeta ao personagem interpretado por ele na série Justiça (2016), de Manuela Dias, tem um sotaque e alguns trejeitos particulares, conseguindo se diferenciar sem muito esforço do gêmeo rico e dos demais personagens interpretados por ele. Renato, no entanto, é o Cauã Reymond de sempre, eficiente em cena, mas sem grandes diferenças a se destacar.

Ao lado de Cauã em cena, Alinne Moraes, Andréia Horta e Juan Paiva apresentam desempenhos primorosos. Aline, sempre impecável, consegue demonstrar logo de cara as nuances de sua personagem, Bárbara, uma jovem rica que vive uma relação tóxica com o namorado playboy. Andréia, que até o último sábado (06) estava no ar no mesmo horário na reprise de Império, consegue se esquivar de qualquer comparação e nem de longe lembra a filha mimada do comendador. Por fim, Juan, também irretocável, é o grande destaque da novela e sempre que aparece rouba a cena para o Ravi que construiu, simples, bondoso, ingênuo, mas sem ser caricato, ele desperta empatia imediata em quem assiste.

Pelo conjunto apresentado, Um Lugar ao Sol tem potencial e qualidade para reagir e se tornar um sucesso. O fato de ter entrado no ar totalmente gravada tranquiliza os espectadores que poderiam temer os ajustes da Globo, já que seriam desnecessários, visto que uma boa campanha de divulgação seria mais que suficiente para fazer os índices subirem. No entanto, tem que ser feito com urgência, ou a novela sofrerá do mesmo mal de outras tramas que, como Lado a Lado (2012), que, embora elogiadíssima pela crítica e com qualidades a perder de vista, não conseguia prender o grande público na frente da televisão e patinava na audiência, assim como vem acontecendo com o atual folhetim das nove.

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