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Marcelo Cortez: Londrina precisa mergulhar no futuro

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LONDRINA –  Antes de começar a entrevista, Marcelo Cortez entra na sala e se ajeita na cadeira – aceita um café? – oferece, como um sinal de boas vindas, para que se sentíssemos mais confortáveis. A conversa segue sobre temas que serão abordados no bate papo.

— Qual a profissão do senhor?

— Advogado – respondeu rapidamente, antes de emendar a resposta contando mais sobre sua participação na vida pública:

— Já cheguei a ser presidente da Sercomtel, em uma época em que a empresa precisava de pacificação. Era uma época turbulenta – concluiu.

Marcelo Cortez tem 47 anos, é pai de quatro filhos e também avô. Desde sempre, dedicado as causas da cidade, Cortez, como é conhecido, hoje gerencia uma das principais, se não a principal companhia municipal de Londrina, responsável por praticamente tudo que remete a urbanização e zeladoria da cidade. Ele também já foi presidente da Cohab-LD, diretor administrativo da mesma companhia, e procurador jurídico da própria CMTU.

O objetivo da entrevista é conhecer o ponto de vista de Marcelo para vários assuntos, desde mobilidade urbana, um tema delicado em razão da polêmica envolvendo a prefeitura e a TCGL, a temas como limpeza da cidade, urbanização e a falta de parques municipais.

Confira:

24Horas – Marcelo, como anda a licitação do transporte coletivo? Teremos a resolução desse impasse?

Marcelo Cortez – Essa é a intenção. Há 60 anos que a cidade vive sob um monopólio. A gestão decidiu quebrar esse ciclo, mas encontra essa dificuldade porque é óbvio. O sistema atual é altamente lucrativo aos empresários e tem pouco retorno real em qualidade para quem usa. Sem falar no excesso de linhas que não levam a lugar nenhum, e cruzam vários pontos desnecessários. O objetivo é mudar isso.

24Horas – Mas julho se aproxima (em razão do contrato emergencial com as empresas). Se até lá a cidade não resolver, o que vai acontecer? Vamos ficar sem ônibus? 

Marcelo Cortez – Não acredito que vamos ficar sem transporte coletivo. O que acontece é que a decisão do Tribunal de Contas do Estado, não leva em conta a necessidade da população de Londrina. Sem falar que a corte, embora mereça todo o respeito, fica muito distante daqui e não consegue conferir pontos importantes que foram questionados na ação que trava a licitação. Creio que até julho vamos conseguir reverter isso e, finalmente, fazer a licitação tão necessária para Londrina.

Marcelo Cortez fala do transporte coletivo em Londrina – Foto: Derick Fernandes / 24Horas

24Horas – Essa licitação prevê quais melhorias? Vamos ter real evolução no sistema?

Marcelo Cortez – Isso. Queremos melhorar o transporte em vários aspectos. Implantar métodos alternativos de pagamento, como com cartão de crédito ou débito. Vamos pedir também que seja instalado nos ônibus um sistema que permita sua monitoração em tempo real. Assim vamos ter vários dados, como velocidade, tempo de viajem, e várias outras informações que vão nos permitir melhorar a qualidade do transporte. É uma melhoria progressiva, uma vez que Londrina nunca teve nem mesmo um plano de mobilidade urbana, algo que está sendo desenvolvido agora pela prefeitura e CMTU.

24Horas – Está prevista a criação de um novo modal? O SuperBus, por exemplo, que seria BRT, só trouxe ônibus melhores, mas a eficiência não melhorou.

Marcelo Cortez – Criar um novo modal demanda de um alto custo, mas eu acho que a cidade deveria investir nisso sim. Nesse momento, estamos reestruturando o sistema, para dar melhor vazão ao fluxo de passageiros, que hoje precisa fazer transbordo no Terminal Central para ir a outras regiões da cidade. O BRT seria uma opção, mas em gestões anteriores ele foi cancelado, sendo criado o SuperBus. Uma pena, porque Londrina merece um sistema de massa pelo tamanho que já tem.

Inclusive, nesse plano SuperBus não foi prevista a manutenção dos pontos de ônibus que foram instalados. São pontos de ônibus caros, que vem sendo degradados ao longo do tempo por falta de manutenção. Essa é outra solução que queremos criar, de repente usando os pontos para fazer publicidade e reverter a receita na manutenção dos abrigos de toda a cidade. Procuramos soluções inovadoras, para problemas antigos.

Presidente da CMTU, Marcelo Cortez, ao falar sobre a reforma dos terminais de Londrina – Foto: Derick Fernandes / 24Horas

24Horas – E quanto aos terminais? Fugindo desse campo da nova licitação, os terminais receberão algum tipo de benfeitoria?

Marcelo Cortez – Todos os terminais serão reformados, com exceção do terminal da Zona Oeste, que é novo. Mas já há um movimento para revitalizar os terminais do Acapulco, Ouro Verde, Vivi Xavier e Milton Gavetti. Eu diria que os terminais serão praticamente reconstruídos do zero.

24Horas – E a previsão para isso?

Marcelo Cortez – Acredito que até o final do ano, ou início de 2020 já teremos todas as obras concluídas. Esse será um ano com muitas obras em Londrina.

24Horas – Marcelo, vamos falar dos aplicativos. É certo que os ônibus perderam espaço para os aplicativos de mobilidade, mas Londrina ainda não tem a regularização disso, enquanto várias cidades já geram até receita pública com os aplicativos. Há previsão disso acontecer aqui?

Marcelo Cortez – Sim, isso já deveria até ter sido feito. Mas já há em andamento o projeto que regulariza os aplicativos de mobilidade. Creio que no máximo em dois meses teremos publicado o texto que regula os app’s. Toda a inovação é bem vinda, e se os táxis também tem obrigações com o poder público, os aplicativos também precisam seguir essa mesma linha.

24Horas – Outro assunto é a zeladoria urbana. Faltam parques em Londrina e muitas praças estão esquecidas por anos. O que está sendo feito para contornar isso?

Marcelo Cortez – Estamos revitalizando todas as praças da cidade. Eu disse todas. Tenho certeza que se a CMTU ainda não passou em algum bairro, vamos passar. A determinação do prefeito (Marcelo Belinati) é que até o fim do ano terminemos o trabalho de revitalização em dezenas de praças, algumas há mais de 20 anos sem manutenção de verdade.

Só cortavam o mato. Agora estamos trabalhando na pintura, reconstrução de bancos, grades para as quadras e etc. Demandamos, claro, de orçamento, mas estamos fazendo conforme estamos conseguindo executar o serviço, ou seja, com os recursos que temos.

Já a questão de parques é delicada. Londrina tem tamanho, mas não conta com um fundo ou recursos suficientes para manutenção desses espaços públicos. Temos lá o Lago Norte por exemplo, que precisa de revitalização. Para isso é preciso de dinheiro. Mas concordo que Londrina poderia transformar todos os vales e margens de riachos em parques urbanos.

Cortez conta ações que estão sendo desenvolvidas na zeladoria da cidade – Foto: Derick Fernandes / 24Horas

24Horas – Aproveitando que estamos falando em coisas para Londrina, qual é o papel da CMTU na cidade? Há um conceito que a companhia serve apenas para multar. O que diz disso?

Marcelo Cortez – É um conceito errado. A CMTU cuida de praticamente tudo que existe em Londrina. Tudo passa por nós. Desde obras que serão feitas e demandam de procedimentos burocráticos (como licitações e etc), a zeladoria, roçada de mato, limpeza pública, transporte, regularização de serviços urbanos, e até o mobiliário (pontos de ônibus, totens e etc) são de competência da CMTU.

Essa pecha de que somos apenas para multar está equivocada. É multado quem desrespeita as regras de trânsito. Até eu já levei multa.

24Horas – Queremos saber um pouco da visão do Marcelo Cortez para a cidade. O que você espera de Londrina daqui a alguns anos?

Marcelo Cortez – Londrina é incrível. É uma cidade que cresceu muito e ganhou muitas vocações. Eu espero uma cidade que mergulhe no futuro, que seja tecnológica e cada vez mais desenvolvida. Temos a oportunidade de se tornar um polo de tecnologia, com a vinda de empresas startups entre outras. O que se viu nos últimos anos foi um atraso do nosso desenvolvimento, o que atrapalhou a progressão da cidade. Mas tenho a certeza na retomada do crescimento de Londrina, e queremos fazer o nosso melhor para contribuir pra isso.

Londrina tem vários problemas a serem corrigidos, e aos poucos vamos consertá-los. Precisamos é de um pouco de paciência da população, para que o trabalho seja feito, e também da colaboração. É preciso que o londrinense nos ajude, diga o que precisa ser feito no seu bairro, na sua rua, para que tenhamos esse feedback. Todos os dias recebemos várias mensagens, algumas críticas, e isso é usado de forma propositiva para melhorar o nosso desempenho como órgão público.

A cidade que eu espero nos próximos anos, é uma cidade melhor para todos, com mais qualidade de vida, beleza urbana e eficiência no transporte, no trânsito, e no serviços que são prestados.

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