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“É hora de mudar a UNE e reinventar o movimento estudantil” declara jovens

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Defender a pluralidade de ideias e fazer oposição à atual direção da UNE é o objetivo do grupo. Foto: Marcos Costa/SIEP Paraná

A fim de criticar a hegemonia de 20 anos do mesmo grupo político na direção da União Nacional dos Estudantes (UNE), estudantes de diversos estados se uniram e participaram em conjunto do último evento da entidade, 10ª Bienal de Cultura e Arte da UNE, realizada em Fortaleza/CE e declararam que vão disputar a UNE em 2017.

Com movimentos estudantis independentes, intelectuais e entidades de juventude que não concordam com a postura da atual direção da UNE, as lideranças jovens de oposição se destacaram como única representação de outra linha de reflexão dos atuais problemas brasileiros.

Participação na Bienal

Com mais de 5 mil estudantes, uma das primeiras críticas feitas à Juventude do PT (JPT) e União da Juventude Socialista (UJS), juventude do PCdoB (Partido Comunista do Brasil), que comandam a entidade há cerca de 20 anos, foi a maneira aparelhada em que todos os debates do evento foram construídos.

Com o discurso de ‘golpe parlamentar’, o evento desenhou uma conjuntura nacional apenas sob ótica da esquerda em relação à crise política e econômica. Personalidades como Luciana Genro (PSOL/RS), Fernando Haddad (PT/SP), Ciro Gomes (PDT/CE), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), o artista Tico Santa Cruz e diversos outros artistas, intelectuais e políticos de esquerda participaram do evento que, com um financiamento público da Prefeitura de Fortaleza e do Governo do Estado do Ceará, se propôs a ‘reinventar’ a entidade e o Brasil.

Para a André Morais, estudante de Administração da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), a participação na Bienal da UNE foi essencial para mostrar para o Brasil que não há somente reflexões da esquerda nas escolas e universidade, nas mais diversas temáticas como: comunicação, economia, crise e política.

“Viemos marcar posição e fizemos isso com determinação e coragem. Criticamos o que vem sendo feito há 20 anos no movimento estudantil brasileiro, e no ano após impeachment, a juventude tucana mostrou que a pluralidade precisa ser levada em consideração na UNE! É hora de levar a UNE novamente para perto do pulsar dos estudantes. Não queremos uma UNE tucana, queremos uma UNE dos estudantes”, disse Morais.

Bate Papo sobre a História da UNE no Lançamento do Filme “Praia do Flamengo 132”.

Crise Econômica

Durante o principal debate do evento, os jovens de oposição já deram o que falar. “Vocês são os responsáveis pela crise instaurada no Brasil” disse Pedro Caldas, 22, estudante de economia da Universidade Federal do Ceará (UFC), para a mesa que estava composta só Luciana Genro (PSOL/RS), Ciro Gomes (PDT/CE), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e a presidente da UNE, Carina Vitral, que ano passado foi derrotada na candidatura à Prefeitura de Santos/SP pelo PCdoB.

Para Pedro, os caminhos da saída da crise são otimismo e garantia da estabilidade. “A confiança de empresários e consumidores já subiram em janeiro. O Brasil não precisa de ‘profetas do caos’, mas sim de estabilidade e trabalho conjunto de todos. Só assim geraremos emprego e renda e, com as reformas necessárias, colocaremos nosso país no rumo do crescimento, caminhos este, que a esquerda se desviou nos últimos anos”, disse.

“A UNE não é só vocês”

Outro debate, na Bienal, que contou com intervenção do grupo de oposição, foi a sessão de pré-lançamento do Filme “Praia do Flamengo 132”, um curta-metragem que conta a história da sede da UNE, no Rio de Janeiro, ao longo das décadas. Desta vez a crítica foi feita pelo jornalista Ronie Lobato, pós-graduando em Gestão da Comunicação pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), e que também fez movimento estudantil como Diretor de Comunicação na União Paranaense dos Estudantes de 2011 a 2013.

“A UNE não é uma entidade do PCdoB ou do PT, a UNE é dos estudantes! Por mais que tenham liderado a organização nos últimos anos, não se deve imprimir uma narrativa comunista da atuação estudantil em um filme que traz um resgate tão importante. Em 2016, por exemplo, não houve somente estudantes nas ruas contra o impeachment de Dilma Rousseff, mas muito pelo contrário, muitos jovens foram às ruas para pedir a saída do PT e do PCdoB do poder. Enquanto vocês defendem o ‘golpe’, há aqueles que entendem os movimentos pelo impeachment como um dos processos mais democráticos da nossa história”, disse Lobato.

Disputa da UNE

O movimento iniciado na Bienal tende a disputar a UNE nas principais universidades por todo o país. Diversos entidades estudantis do Brasil se reunirão em CONEG (Conselho Nacional de Entidades Gerais), de 17 à 19 de Março, para convocar eleições gerais na UNE e aprovar as regras das eleições dos delegados (as) nas universidades.

Segundo representantes do Movimento Estudantil Independente Organizado (MEIO), do Rio Grande do Sul, o eco e a vontade de construir uma entidade de todos, plural e verdadeiramente democrática já se espalha pelo país. “Estamos unidos por uma UNE transparente e Independente, que não tenha medo do debate de ideias” declarou, em uma plenária, o estudante Patrick Guimarães, coordenador nacional do MEIO.

Lucas Sorrillo, 25, estudante de economia na USP, que é Tesoureiro da União dos Estudantes de São Paulo (UEE/SP) e também é oposição acredita que este momento é histórico. “Há 20 anos deixamos que a UJS e a JPT dominassem os espaços de poder, não só na institucionalidade do Estado, como também nos movimentos sociais, precisamos agora devolvê-los aos estudantes e tomar esses espaços para mostrar que eles podem sim funcionar voltados aos interesses comuns e não interesses do sectarismo partidário” concluiu.

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